"Só soube que amava quando as palavras deixaram de ser só barulho e quando os momentos foram eternizados - são as pequenas coisas, os mais pequenos promenores na vida de alguém que fazem com que nós nos deixemos levar."
Numa cidade cheia de feições e cantos macabros dou por mim a sentir cada luz por onde passo.
Vejo-te ali, do outro lado do meu corpo, passo-te as minhas mãos frias pelas tuas costas; agarras o meu pescoço e lançamo-nos nos colhões vermelhos.
As paredes choram enquanto nós nos deixamos levar, com as mãos no tecto de um chão que já foi tão nosso.
Semi-cerras os olhos enquanto eu analiso cada pedaço da tua cara; rasgas-me o coração e procuras o ar no meu pescoço.
Abro os braços e entrego-me a ti da mesma forma como me entreguei antes e sinto o teu cheiro cada vez mais entranhado na minha alma.
Rebolamos o chão, subimos o quadro e pintamos uma tela de imaginação; mudo, gritas o meu nome e eu vou tentando juntar o puzzle para não me apegar a ti, de novo.
O tempo não passa e as imagens são como um filme em câmara lenta; passamos a rua de um lado para o outro, o silêncio é constrangedor e a estrada parece cada vez mais longa.
Era suposto... Devia ter acontecido. Já é tarde e eu gosto de ti.
Gosto de ti como se tivesse sido a primeira vez e como se hoje fosse um ontem pregado ao contrário.
É ironico não achas? Duas vezes, duas falhas inconcebiveis e mesmo assim tu amanhã vais embora sem intenções de me amar da mesma maneira.
Depois de te deixar na segunda rua à esquerda, dou por mim a sentir calor e frio, tristeza e alegria numa mistura explosiva.
Instala-se uma dor agressiva que não me deixa respirar; os cigarros são puxados uns atrás dos outros e sinto que estou definitivamente caída de amores.
"Nunca me esqueci de ti" penso eu no burburinho da Antena 1 e percorro o retrovisor da esquerda para a direita para ver se tu me fazes sinais de luzes e me mandes encostar.

A vida é curta e a paixão parece querer ser para sempre; em unissono com o meu andar, o mundo passa sempre rápido demais e as minhas palavras são sempre poucas para a incerteza que se fez sentir.
Estamos a ter uma atitude desafinada, estamos a ir contra todos os principios e talvez não estejamos a pensar em todas as consequencias.
Afinal de contas eu não sou de ferro mas esta minha amargura faz com que não consiga apanhar formigas com vinagre.
"Deixa-me perguntar"... Gostas de mim? Não há forma mais fácil de te pedir para ficares só mais cinco minutos.

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